

O ano de 2019 foi um verdadeiro divisor de águas para a Solana, representando mais da metade da trajetória da rede e registrando avanços decisivos rumo ao lançamento do mainnet. Esse período foi marcado por desenvolvimento intenso de infraestrutura, atração de investimento de venture capital, auditorias de segurança criteriosas e fortalecimento do time central para assegurar o sucesso do lançamento da rede. Ao final de 2019, a Solana já contava com a infraestrutura essencial para iniciar o mainnet no começo de 2020, combinando capacidades tecnológicas comprovadas e engajamento da comunidade, colocando o projeto diante de uma virada estratégica.
No primeiro semestre de 2019, a Solana concentrou esforços no desenvolvimento da infraestrutura central da rede. Em janeiro, foi lançada a Solana Knowledge Base junto com a Release v0.11.0 (codinome Tabletops), destacando avanços nos sistemas de validadores, funções de arquivamento e escalabilidade do testnet. O testnet, com 100 nós, atingiu métricas impressionantes: throughput máximo de 436.523 transações por segundo (TPS) e média de 117.132 TPS, sinalizando o potencial da rede para operações blockchain de alto desempenho.
O ritmo de desenvolvimento ganhou ainda mais tração na primavera. Em abril, ocorreram dois lançamentos importantes: Grandview v0.13.0 e Ponto v0.14.0. Este último implementou um testnet globalmente distribuído com 200 nós e trouxe demonstrações de um protocolo de exchange descentralizada de alto throughput (decentralized exchange protocol). Os benchmarks seguiram em evolução, com a rede de 100 nós alcançando TPS máximo de 191.362 e média de 43.424.
Em maio, o envolvimento da comunidade aumentou, com o fundador Anatoly Yakovenko participando do podcast Off the Chain para debater redes blockchain de alto desempenho, o inovador mecanismo Proof of History e desafios técnicos do sharding em blockchain.
Junho foi um mês de marcos importantes. A equipe anunciou o Tour de SOL, um testnet incentivado voltado para que validadores demonstrassem suas habilidades, recebessem tokens e reforçassem a rede antes do lançamento do mainnet. No mesmo mês, o Trestles v0.16.0 trouxe a metodologia funcional de Proof of Replication, implantou o primeiro Archiver para armazenamento de dados e expandiu o suporte aos idiomas de programação Rust e BPF. As notas de lançamento celebraram: “Juntos vemos o mainnet no horizonte!” Nesse período, foi criada a Solana Foundation, organização sem fins lucrativos sediada em Genebra, Suíça, para liderar a governança e coordenação futura do protocolo Solana, com início operacional total previsto para o Q1 de 2020.
No terceiro trimestre, a Solana passou a demonstrar suas capacidades e garantir respaldo institucional. Em julho, anunciou a captação de US$20 milhões liderada pela Multicoin Capital, com presença de Distributed Global, Blocktower Capital, Foundation Capital, Blockchange VC, Slow Ventures, NEO Global Capital, Passport Capital e Rockaway Ventures. Esse aporte validou a abordagem técnica e o potencial de mercado do projeto, com Kyle Samani, sócio-gerente da Multicoin, destacando publicamente a Solana como “uma das plataformas layer 1 mais promissoras”.
Após o anúncio do investimento, a Solana publicou um whitepaper técnico detalhado, ‘As 8 Inovações que Fazem da Solana a Primeira Blockchain do Mundo’, analisando componentes fundamentais como Proof of History, Tower BFT, Turbine, Gulf Stream, Sealevel, Pipelining, Cloudbreak e Archivers. Juntas, essas inovações viabilizaram throughput líder na indústria sem abrir mão de segurança e descentralização.
O fortalecimento da comunidade avançou com o lançamento do podcast No Sharding, reunindo lideranças e inovadores do setor para discutir descentralização e escalabilidade de blockchain. Entre os convidados estavam Brendan Eich (Brave), Emin Gün Sirer (professor da Cornell e fundador da AVA Labs) e Andy Bromberg (presidente da Coinlist).
O desenvolvimento técnico seguiu com o Waimea v0.17.0, lançado em julho, trazendo suporte à linguagem Move de smart contracts do Facebook (projeto Libra), execução paralela de transações em Rust, C e Move, e redução do tempo de geração de bloco para 400 milissegundos.
Em agosto, um teste interno de escalabilidade foi realizado em 200 nós distribuídos por 23 regiões globais em cinco continentes. Foram processadas mais de 3,2 milhões de transações, com média de 29.171 TPS e pico de 44.838 TPS, estabelecendo as referências da versão quase final da rede.
No fim de agosto, o Mavericks v0.18.0 deu prioridade à disponibilidade dos validadores terceirizados e melhorias em ferramentas. Em setembro, o Jaws v0.19.0 marcou um avanço: 125.223 TPS em um testnet de 25 nós autônomos, superando versões anteriores baseadas em nuvem como AWS e Google Cloud.
No último trimestre, os preparativos para o mainnet foram intensificados. Durante a Devcon V em Osaka, Japão, a Solana realizou a SOLCon, sua primeira conferência exclusiva, reunindo pares, tecnólogos, validadores e apoiadores para contato direto com a equipe e a comunidade de desenvolvedores. O evento impulsionou a definição da data de lançamento e a mobilização da comunidade.
Em outubro, veio o Cloud Nine v0.20.0, dobrando o desempenho de TPS frente ao lançamento anterior. A equipe e mais de 30 validadores voluntários realizaram simulações e ajustes finais para a competição incentivada Tour de SOL.
Em novembro, a Solana ganhou destaque no ecossistema blockchain. Durante a San Francisco Blockchain Week, a sede da Solana sediou três eventos que reuniram grande público para discutir finanças descentralizadas e escalabilidade, com participação de líderes de projetos como Chainlink, MakerDAO, 0x e SKALE.
Uma auditoria de segurança da reconhecida Kudelski validou externamente a estratégia técnica e a estrutura da equipe da Solana. O relatório destacou: “A Solana criou uma estratégia de recursos humanos que potencializa talentos individuais para avanços tecnológicos, mas mantém atenção constante à transferência de conhecimento. A equipe atua de modo coeso, permitindo que cada membro contribua para discussões, independentemente do tema. Isso mostra que a Solana está bem posicionada para expandir.”
No final de novembro, o Sultans v0.21.0 foi lançado, atingindo picos superiores a 100.000 TPS.
No início de dezembro, o SLP 1 (Solana Lightweight Protocol) foi lançado como teste final de rede. A equipe realizou com sucesso um Genesis Dry Run com 10 validadores terceirizados, simulando fielmente o procedimento esperado para o Genesis oficial do mainnet Solana. Esse avanço indicou proximidade da conclusão das funcionalidades. A operação do testnet foi planejada até o final do ano para demonstrar estabilidade e treinar procedimentos críticos, como atualizações ao vivo, garantindo prontidão para uma expansão do mainnet.
Em 2019, a Solana consolidou-se como concorrente relevante no segmento de blockchain layer-1, com conquistas técnicas, apoio institucional e forte envolvimento de comunidade. O ano evoluiu do desenvolvimento intenso de infraestrutura (Q1-Q2), passando pela demonstração de capacidades e captação de recursos (Q3), até a preparação decisiva para o mainnet (Q4). Com infraestrutura pronta, benchmarks validados, auditorias finalizadas e uma comunidade de validadores engajada, a Solana iniciou 2020 apta para entregar uma blockchain de alta performance e escalabilidade ao mercado. A base construída em 2019 — técnica, organizacional e comunitária — foi essencial para um ano decisivo e para a realização do lançamento da Solana.
A Solana foi lançada em março de 2020. A plataforma foi fundada em 2018 por Anatoly Yakovenko e Raj Gokal. O token nativo é o SOL.
A Solana estreou em março de 2020, com preço aproximado de US$0,22 por SOL. Desde então, o valor apresentou alta volatilidade.
As projeções para 2030 indicam que a Solana pode atingir cerca de US$1.200, impulsionada pela expansão do DeFi, crescimento de NFTs, forte atividade de desenvolvedores e possíveis investimentos institucionais, inclusive um ETF de Solana.
Embora muito ousado, é extremamente improvável que a Solana chegue a US$10.000 atualmente, diante do cenário de mercado. Contudo, com o crescimento do ecossistema e avanços tecnológicos, esse patamar segue possível no longo prazo.





